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Eu adoro saber sobre diferentes etnias e suas culturas diversas, isso todo mundo sabe. Desde pequenininho, sempre fui apaixonado pelos globos terrestres e mapas-mundi. Aos sete anos comecei a estudar inglês, entre 1997 e 1998 comecei a estudar japonês, sempre curioso sobre como era a vida nos diversos cantos do mundo. Felizmente, tive acesso a diversas fontes de informação que me permitiram me apaixonar pela geografia, e desde então tenho o grande sonho de conhecer melhor esse mundo, uma vez que o Japão, embora no lado oposto do globo, parecia tão próximo quanto a Argentina, que por sua vez estava a alguns minutos de distância...
Eis que fui crescendo e percebendo que o mundo não era tão colorido e maravilhoso quanto parecia. Como disse Mafalda, no globo e nos mapas o mundo é lindo porque é uma cópia reduzida, o original é um desastre. Nazismo, facismo, ditadura, terrorismo... É triste ter que aceitar que um lugar que você ama tanto está decadente.
Se teve uma coisa que resistiu ao tempo, foi minha tola utopia que acredito ser a única esperança para o fim desses conflitos: a aceitação de que todo patriotismo é infértil e estúpido, o planeta é um só e é de todos (e que por isso estamos todos no mesmo barco, na nossa condição de seres humanos onde todos somos iguais).
Não escondo de ninguém que quero ir embora daqui e por isso já fui apoiado, incentivado, mas também criticado. É mais fácil abandonar o barco do que lutar contra a força das águas. Bem, pra começar, o Brasil não é um barco. E pouco me interessa se estou vivendo aqui, no Canadá, na Noruega ou em Taiwan. A única coisa que me importa é a vida que estou levando.
Se nasci, assim como todos os seres humanos, no planeta Terra, por este planeta também sou responsável e dele tenho o direito de usufruir. Não vejo nada de errado em querer morar em um lugar mais frio, num país com uma cultura diferente com a qual eu me identifique mais. Sou contra todo e qualquer valor patriota, já que pra mim pátria é um conceito deturpado e meio impróprio, o que interessa realmente é a população. Se algum dia o Brasil quiser virar um novo estado americano e isso resultar em algum benefício efetivo para a população, vou apoiar e ficar muito feliz. Aqui ou lá, somos as mesmas pessoas, com a diferença de falar uma língua diferente, ter um biotipo diferente e uma cultura diferente.
Não pago pau pros EUA nem pra nenhum outro país, acho que cada cultura tem seus valores positivos e negativos. Não tenho orgulho de ser brasileiro simplesmente porque não há motivo nenhum pra se orgulhar. Se tenho algo pra me orgulhar, isso sim, é de ser um ser humano capaz, saudável e uma pessoa boa (pelo menos eu me esforço). Em qualquer lugar do mundo, eu sou eu mesmo. Em qualquer lugar do mundo, todos respiram o mesmo ar, todos têm as mesmas necessidades básicas, todos somos simplesmente humanos.
Quero o melhor não só pra minha cidade, não só pro meu país. Quero o melhor para o mundo, que até o momento é o único lugar no universo onde eu tenho chance de sobreviver. E vai ser realmente difícil melhorar esse mundo decadente se todas as nações não se unirem. A união faz a força, e é possível conviver harminicamente com as nossas diferenças sem perder nossa identidade, basta um pouquinho de boa vontade.